O dia de Reis celebra-se hoje, dia 6 de
Janeiro, partindo-se do princípio que foi neste dia que os Reis Magos
chegaram finalmente junto ao Menino Jesus.
Os Reis Magos são personagens que vieram do Oriente, guiados por uma estrela, para adorar o Deus Menino, em Belém.
Em alguns países é no dia 6 de Janeiro que se entregam os presentes.
Ao chegarem ao seu destino, os Reis Magos deram como presentes ao Menino Jesus:
Ouro (oferecido por Belchior): este representa a Sua nobreza;
Belchior
Incenso (oferecido por Gaspar): representa a divindidade de Jesus;
Gaspar
Mirra
(oferecido por Baltasar): a mirra é uma erva amarga e simbolizava o
sofrimento que Cristo enfrentaria na Terra, enquanto salvador da
Humanidade, também simbolizava Jesus enquanto homem.
Baltazar
Segundo reza a história os Reis
Magos, Gaspar, Melchior (ou Belchior) e Baltazar, eram de origens
distintas, um era negro africano, o outro branco europeu e o terceiro
moreno (assírio ou persa) e representavam a humanidade conhecida da
época.
Os presentes (ouro, incenso e mirra) simbolizam, respectivamente, a realeza, a divindade e a paixão de Cristo.
Assim, os Reis Magos homenageram Jesus como rei (ouro), como deus (incenso) e como homem (mirra).
Cada um deles, que na verdade eram astrónomos e grandes estudiosos dos
astros e dos céus, segundo reza a tradição cristã, foi guiado pela
‘estrela guia’; uma estrela muito mais brilhante que todas as outras já
vistas nos céus de todo o mundo; e que era um sinal de que algo muito
especial havia acontecido. Os magos teriam chegado a Jerusalém seguindo a
trajectória desta estrela que anunciaria a vinda do Messias ao mundo.
A tradição manda que neste dia a família se volte a reunir para celebrar o fim dos festejos de Natal.
Os alimentos da Noite de Reis são o bacalhau com batatas, bolo rei, pão-de-lo, rabanadas, entre outras iguarias de Natal.
No dia seguinte ao Dia de Reis as famílias começam a retirar os enfeites de Natal que decoram as casas durante a época de Natal.
Que eram os Reis Magos?
As referências bíblicas são vagas e o episódio quase passa despercebido
dos evangelistas, mas as contribuições da tradição patriática são muitas
e, como elas têm força de fé e verdade, nelas devemos buscar grande
parte das coisas que se contam dos santos Belchior, Gaspar e Baltazar já
referidos pelos profetas do Velho Testamento, que vaticinavam a
homenagem dos Reis ao humilde filho de David que deveria nascer em
Belém.
De onde vieram e o que
buscavam, pouca gente sabe. Vinham do Oriente e Baltazar, o mago negro
talvez viesse de Sabá (terra misteriosa que seria o sul da Península
Arábica ou, como querem os etíopes, a Abissínia). Simbolizam também as
três únicas raças bíblicas, isto é, os semitas, jafetitas e camitas. Uma
homenagem, pois, de todos os homens da Terra ao Rei dos Reis.
Eram
magos, isto é, astrólogos e não feiticeiros. Naquele tempo a palavra
mago tinha esse sentido, confundindo-se também com os termos sábio e
filosóficos.
Eles perscrutavam o
firmamento e sentiram-se chocados com a presença de um novo astro e,
cada um deles, deixando suas terras depois de consultar seus pergaminhos
e papiros cheios de palavras mágicas e fórmulas secretas, teve a
revelação de que havia nascido o novo Rei de Judá e, que ele, como
soberano, deveria, também, prestar seu preito ao menino que seria o
monarca de todos os povos, embora o seu Reino não fosse deste mundo.
Os
três reis magos, Gaspar, Melchior e Baltazar, levavam presentes, e
seguiam a estrela que os guiava até que chegaram à cidade de Jerusalém.
Aí perguntaram pelo Rei dos Judeus, pois tinham visto a estrela no céu.
Quando
o rei Herodes soube que estrangeiros procuravam a criança, ficou
zangado e com medo. Os romanos tinham-no feito rei a ele, e agora
diziam-lhe que outro rei, mais poderoso, tinha nascido?
Então,
Herodes reuniu-se com os três reis magos e pediu-lhe para lhe dizerem
quando encontrassem essa criança, para ele também a ir adorar.
Os reis magos concordaram e partiram, seguindo de novo a estrela, até que ela parou e eles souberam que o Rei estava ali.
Ao verem Jesus, ajoelharam e ofereceram-lhe o que tinham trazido: ouro, incenso e mirra. A seguir partiram.
À
noite, quando pararam para dormir, os três reis magos tiveram um
sonho. Apareceu-lhe um anjo que os avisou que o rei Herodes planeava
matar Jesus.
De manhã, carregaram os camelos e já não foram até Jerusalém: regressaram à sua terra por outro caminho.
José
também teve um sonho. Um anjo disse-lhe que Jesus corria perigo e que
ele devia levar Maria e a criança para o Egipto, onde estariam em
segurança. José acordou Maria, prepararam tudo e partiram ainda de
noite.
Quando Herodes soube que fora enganado pelos reis magos, ficou furioso. Tinha medo que este novo rei lhe tomasse o trono.
Então, ordenou aos soldados para irem a Belém e matarem todos os meninos com menos de dois anos. Eles assim fizeram.
As pessoas não gostavam de Herodes, e ficaram a odiá-lo ainda mais.
Maria e José chegaram bem ao Egipto, onde viveram sem problemas.
Então, tempos depois, José teve outro sonho: um anjo disse-lhe que
Herodes morrera e que agora era altura de regressar com a família a
Nazaré à sua casa.
Depois da longa viagem de regresso, eles chegaram enfim ao seu lar.
Fica um pouco de conhecimento sobre os três reis magos:
""Gaspar
era rei de Markash, o país de mar azul e praias brancas. Nele moravam
homens e mulheres de pele clara, cabelos negros e olhos castanhos. Aos
seus portos chegavam navios de todo o mundo que vinham para vender suas
mercadorias exóticas. O comércio acontecia em todos os lugares, nos
mercados das grandes praças e nas pequenas lojas de uma porta só, em
vielas estreitas. Gaspar, da torre do seu palácio, contemplava tudo.
Como rei ele deveria sentir-se feliz: todos lhe eram agradecidos e todos
o amavam. Mas, a despeito de tudo isso, havia no seu coração uma
tristeza incurável, nostalgia que mais doía quando o sol se punha sobre o
mar incendiando as águas.
Por mais que se esforçasse o rei não conseguia sorrir. Gaspar convocou
então os seus sábios e expôs-lhes o seu sofrimento. Os sábios lhe
disseram que o remédio para a tristeza é o conhecimento. “A ciência é
uma fonte de alegria“, eles lhe disseram. O rei mandou então vir
professores e cientistas de todo o mundo, importou livros, estabeleceu
bibliotecas, montou laboratórios, construiu observatórios astronómicos.
Por anos se dedicou à aprendizagem dos conhecimentos da ciência. Agora
estava velho. Sabia tudo o que havia para ser sabido sobre o mundo. Mas a
ciência não lhe trouxe alegria. Ele continuava sem saber sorrir.
Era madrugada. A luz do sol já iluminava o horizonte. O rei já estava
desperto. Na varanda do seu palácio ele contemplava os céus estrelados.
Foi então que, olhando para o oriente, ele viu uma nova estrela, estrela
que não se encontrava nos mapas dos céus que conhecia. Era uma estrela
diferente porque, ao contemplá-la, ele ouvia uma música de indescritível
beleza que o fazia feliz. E ele sorriu pela primeira vez. Deslumbrado,
mandou vir os sábios que ainda dormiam, e mostrou-lhes a estrela. Mas os
sábios, olhando na direção que o rei indicara, nem viram estrela e nem
ouviram a música que ele dizia ouvir. Saíram, então, tristemente,
convencidos de que o rei estava realmente velho. Os anos de senectude
haviam chegado. Gaspar, indiferente à incredulidade dos sábios, ordenou
que se preparasse um navio para uma grande viagem, na direção da
estrela.
Balt-hazar era rei da Núbia, país montanhoso onde moravam homens e
mulheres de pele negra e brilhante. As montanhas da Núbia eram cobertas
de vegetação luxuriante, árvores gigantescas, frutas as mais variadas,
onde viviam pássaros de todos os tipos. Por todos os lugares se viam
riachos de água limpa, com remansos e cachoeiras. Era um país belo e
fértil. Balt-hazar, da janela do seu palácio, contemplava as montanhas e
florestas que se perdiam de vista e pensava: “O Paraíso deve ter sido
aqui...“
Entretanto, e a despeito da beleza e da fertilidade da terra, o rei não
era feliz. Havia uma tristeza no seu coração, tristeza que ficava mais
forte quando os pássaros cantavam seus cantos de final de tarde. O canto
deles era belo e triste: o coração do rei era belo e triste...
O rei convocou os sacerdotes, videntes e profetas e falou-lhes sobre a
sua tristeza. “De que me vale a beleza do meu país se o meu coração está
triste?“, ele perguntou. Os homens santos lhe disseram que a tristeza
era sinal de que sua alma estava distante de Deus. “Deus é uma fonte de
alegria“, eles lhe disseram. Balt-hazar, então, mandou vir de terras
longínquas, místicos e teólogos que lhe ensinassem os caminhos para
Deus. Contratou também arquitetos e artistas para construir novos
templos. E comprou os livros sagrados de todas as tradições religiosas
do mundo. Por anos a fio ele se dedicou às coisas sagradas: leu,
meditou, orou... Por fim, chegaram os anos da velhice. Balt-hazar
conhecia tudo o que os homens sabem sobre os caminhos que levam a Deus.
Mas o seu coração continuava triste, mais triste ainda quando os
pássaros cantavam ao entardecer...
Já era madrugada. Balt-hazar, como de costume, levantou-se para as
orações. Ele orava olhando para os céus, morada dos deuses. Foi então
que, olhando para o horizonte, no lugar do sol nascente, ele viu uma
estrela que nunca havia visto. Ao redor dela havia um arco-íris. Mas o
estranho é que, ao contemplá-la, ele ouvia uma música de enorme beleza,
semelhante à beleza do canto dos pássaros ao entardecer. Só que, ao
ouvi-la, seu coração não ficava triste. Ao contrário; era inundado por
uma alegria que nunca experimentara.
O rei mandou chamar os sacerdotes, místicos e profetas. “Vejam aquela
estrela“, disse ele apontando para o horizonte. “E ouçam a música que
sai dela!“ Os homens de Deus olharam na direção indicada mas nem viram
estrela e nem ouviram música. Deixaram então o rei embriagado de alegria
e comentaram, baixinho, entre si: “Nosso rei enlouqueceu. Isso quer
dizer que o fim da sua vida está chegando...“ Balt-hazar, entretanto,
mandou preparar cavalos para uma longa viagem, na direção da estrela.
Mélek-hor era rei de Lagash, o país dos desertos e das areias sem
fim. Lá viviam mulheres de olhos amendoados e homens rudes de barba
espessa. A sua alegria eram os oásis que pontilhavam as areias com o
verde das palmeiras e o frescor das fontes. Foi num desses oásis que
Mélek-hor construiu o seu palácio com enormes blocos de pedra branca na
forma de uma pirâmide. Pirâmides, como se sabe, são figuras mágicas que
garantem a imortalidade.
A aridez e solidão da vida do deserto não o incomodavam. Na verdade, ele
as considerava desafios para o corpo e para a alma. Mas havia uma coisa
que o fazia sofrer: uma melancolia indefinível que sentia ao contemplar
os horizontes ondulados de areia que o sol poente pintava de vermelho.
O rei convidou seus amigos para um jantar e lhes falou sobre a sua
melancolia. E eles lhe disseram: “É compreensível. Nosso país é muito
árido. O que lhe falta, ó rei, são os prazeres da vida. Os prazeres o
farão sorrir.“ Mélek-hor, então, importou prazeres de todas as partes do
mundo: vinhos, frutas, iguarias, músicos, artistas, mulheres lindas...
Por anos ele se dedicou aos prazeres que há. Nisso ninguém o excedeu.
Mas os prazeres não lhe trouxeram alegria. E ele, já velho rezava em
silêncio: “Não quero prazeres; quero alegria, quero alegria...“.
A luz da madrugada anunciava que a noite chegava ao fim. O rei, do alto
da sua pirâmide, tomava uma taça de vinho. Era hábito seu contemplar o
sol nascente: isso sempre lhe dera prazer. Mas o prazer da beleza sempre
lhe vinha misturado com tristeza. Mas, desta vez, não sentiu tristeza.
Espantou-se ao perceber que estava alegre. E a alegria lhe vinha de uma
nova estrela nunca vista que brilhava no céu. E – curioso! - ao
contemplar a estrela ele ouvia uma melodia que o enchia de felicidade.
Mélek-hor sorriu então pela primeira vez. Deslumbrado, mandou vir seus
amigos. Apontou-lhes a estrela, falou-lhes sobre a música. Mas eles,
olhando para os céus, não viram a estrela e nem ouviram a música. Amigos
que eram, disseram ao rei: “Querido Mélek-hor, nosso rei amado: não há
estrela, não há música. Tua mente já não percebe as coisas da terra. Ela
navega nas águas do grande rio, na direção da terceira margem...
Choramos porque sabemos que estás de partida...“. E tristemente se
retiraram, entoando um silencioso requiem. Mas o rei, indiferente às
palavras dos amigos, mandou preparar os camelos para uma viagem na
direção da estrela.
Gaspar, vindo do norte, no seu navio, Balt-hazar, vindo do sul, em seu
cavalo, Mélek-hor, vindo do oeste, em seu camelo: três reis que não se
conheciam. Agora, cada um do seu lugar, começava uma viagem na direção
de uma estrela que só eles viam e de uma música que só eles ouviam.
Gaspar navegava em seu navio. Mas uma tempestade o arremessou contra
recifes, despedaçando-o. O rei, lançado à terra pela força das ondas,
continuou a pé a sua jornada: o navegador se transformou em andarilho. E
aconteceu que, depois de muito andar, chegou a uma encruzilhada para
onde convergiam os quatro caminhos do mundo: o caminho que vinha do
norte, o que vinha do sul, o que vinha do oeste e o quarto, que conduzia
ao oriente, onde estava a estrela. Foi na estalagem Os quatro caminhos
do mundo que os três reis viajantes se encontraram. Descobriram, então,
que eram irmãos: todos vinham da mesma nostalgia, todos caminhavam em
busca da mesma alegria.
Continuaram, então, juntos, a jornada, até que, noite já chegada,
chegaram a um vilarejo. “Que vilarejo será esse?“, perguntaram.
Beth-léhem: esse era o seu nome, gravado numa pedra. “Que estranho“,
disse Gaspar, “aprendi tudo o que há para ser aprendido sobre reinos,
províncias, cidades e vilas. Mas nunca vi esse nome em qualquer um dos
livros que li“. Balt-hazar acendeu sua lâmpada de azeite e iluminou, com
sua luz bruxoleante, o mapa que abrira sobre o chão. “Aqui está ela“,
ele disse marcando com o seu dedo um lugar no mapa.. “Beth-léhem. Fica
precisamente na divisa entre dois grande reinos. À esquerda está o Reino
da Fantasia. À direita está o Reino da Realidade. São reinos perigosos.
Quem mora só no Reino da Fantasia fica louco. Quem mora só no Reino da
Realidade fica louco. Para se fugir da loucura há de se ficar
transitando de um para todo, o tempo todo. Somente os moradores de
Beth-léhem estão livres da necessidade de estar, o tempo todo, indo de
um reino para outro. Porque Beth-léhem fica bem na divisa...“.

No
vilarejo todos dormiam. Era uma noite de paz. O ar estava perfumado com
flores de jasmim e magnólia. E havia um brilho no ar – milhares,
milhões de vaga-lumes estavam pousados sobre as árvores. No ar, o som de
uma flauta de pastor...
A estrela iluminava uma gruta. Os reis se aproximaram. Na gruta havia
vacas, cavalos, burros, ovelhas. Era uma estrebaria. Mas, junto com os
animais, uma pequena família: um jovem e uma jovem que amamentava um
nenezinho recém-nascido. Era só isso. Nada mais.
Perceberam que haviam se enganado:
não era a estrela que iluminava a cena. Era o nenezinho que iluminava a
estrela. E olhando bem para ela puderam ver, nela refletido como num
espelho, o rosto da criancinha. E disseram: “O universo é um berço onde
uma criança dorme!“.
Aí uma coisa estranha aconteceu: ao olhar para o nenezinho os reis
perdiam a sua compostura real; eram dominados por uma vontade
incontrolável de rir. E quando riam, ficavam leves e começavam a
flutuar. Era assim: quem visse o menino se transformava em anjo...
Os reis, em meio aos risos e vôos, olharam cada um para o outro e
disseram: “Nossa busca chegou ao fim. Encontramos a alegria. Para se ter
alegria é preciso voltar a ser criança...“. Ato contínuo tomaram suas
coroas, capas de veludo, dinheiro, ouro, jóias – coisas de adulto - e as
depuseram no chão, ao lado das vacas e dos burros... Eram pesadas
demais. E partiram leves, ora andando, ora pulando, ora voando, mas
sempre rindo.
“Vou mudar de vida“, disse Gaspar. “É horrível ter de estar estudando ciência o tempo todo. Vou me transformar em poeta...“
“Eu também vou mudar de vida“, disse Balt-hazar. “É horrível estar
rezando o tempo todo. Vou ser palhaço. O riso é o início da oração.“
Ao que Mélek-hor acrescentou: “E eu descobri o prazer supremo, que vem
sempre acompanhado de alegria: brincar. Vou ser um fabricante de
brinquedos. Quem brinca volta a ser criança. E quem volta a ser criança
está de volta no Paraíso.“.
E assim partiram, cada um por num caminho. E se você, nas suas andanças,
se encontrar com um poeta, um palhaço ou um fabricante de brinquedos,
pergunte se ele não tem notícias de uns três reis...""
(Rubem Alves)
(Transparências da eternidade, Verus, 2002)
O simbolismo dos presentes
Conta ainda a tradição que, ao chegar a Canaã da Galileia, indagaram os
Magos onde havia nascido o novo Rei de Judá. Essa pergunta preocupou
Herodes, que hoje seria considerado um quisting a serviço dos romanos, e
que reinava na Judeia.
Os representantes do Império preocupavam-se com o aparecimento de um
novo líder do povo de Israel. A revolta dos macabeus ainda não fora
esquecida e o povo oprimido esperava, ansioso, pela vinda do Messias que
iria libertar o Povo de Deus e cumprir a palavra do salmista: "Disse o
Senhor ao meu Senhor senta-te à minha direita até que ponho os teus
amigos como escarbelo aos teus pés".
Os magos procuram conforme conselho de Herodes o novo Rei para
render-lhe homenagem e para informar o representante romano do lugar
onde nascera o Messias a fim de, com falso preito, sequestrá-lo.
No presépio encontramos apenas os animais e os pastores e, inspirados
pelo Espírito Santo, curvaram-se diante do filho do carpinteiro de
Nazaré e depositaram, ao pé da manjedoura que lhe servia de berço, os
presentes: ouro, incenso e mirra, isto é, prendas que simbolizavam a
realeza, a divindade e a imortalidade do novo Rei, e o grão de areia que
cresceria e derrubaria o ídolo de pés de barro (símbolo das grandes
potências que se sucederam no domínio do mundo), do sonho de
Nabucodonosor decifrado pelo profeta Daniel.
Símbolos da humildade
Na tradição cristã os três Reis Magos simbolizavam os poderosos que
deveriam curvar-se diante dos humildes na repetição real do canto da
Virgem Maria à sua prima Isabel, e "Magnificat", pois sua alma
rejubilava-se no Senhor, que exaltaria os pequenos de Israel e
humilharia os poderosos.
A igreja cultua os Reis Magos dentro desse simbolismo. Representam os
tronos, os potentados, os senhores da Terra que se curvara diante de
Cristo, reconhecendo-lhe a divina realeza. É a busca dos poderosos que
vêem em Belchior, Gaspar e Baltazar o exemplo de submissão aos desígnios
de Deus e que devem, como os magos, despojar-se de seus bens e
depositá-los aos pés dos demais seres humanos, partilhando sua fortuna
como dignos despenseiros de Deus.
Os presentes de Natal também têm esse sentido. São as ofertas dos
adultos à criança que com a sua pureza representa Jesus. Alguns, dão a
essas festas um sentido mitológico pagão, buscando nas cerimónias dos
druidas, dos germânicos ou saturnais romanas a pompa das festas
natalícias que culminam com a Epifania.
A Bifana
A palavra epifania, usada também como nome de mulher, deu origem a uma
corruptela dialeta do sul da Itália, levada depois a Portugal e Espanha,
a Bifana. A Bifana, segundo a lenda, era uma velha que, no Dia de Reis,
saía pelas ruas da cidades a entregar presentes aos meninos que
tivessem sido bons durante o ano que findara. Estava intimamente ligada
às tradições dos povos mediterrâneos e mais próxima do significado
litúrgico das festas natalícias.
Os presentes eram somente dados no dia 6 de Janeiro e nunca antes. Tanto
assim é, que nós mesmos, no Brasil, na nossa infância, recebíamos os
presentes nesse dia. Depois, com a influência francesa e inglesa em
nossas tradições a Epifania ou Bifana foi substituída pelo Papai Noel, a
quem muitos estudiosos atribuem uma origem pagã e outros, para
disfarçar o sentido comercial da sua presença no dia de Natal, confundem
com São Nicolau.
Hoje, os Santos Reis já não são lembrados. O presépio praticamente não
existe e só neles é que podemos ver os Magos de Oriente apresentados. A
árvore de Natal, pinheiro que os druidas e os feutos enfeitavam para
agradar ao terrível Deus do inverno Hell, substituiria a representação
do nascimento de Jesus, introduzida no costume dos povos por São
Francisco de Assis.
A festa da Epifania, dia de guarda no calendário litúrgico, já não mais é
respeitada e com ela desaparecerem outras tradições da nossa gente,
trazidas da Península Ibérica pelos nossos antepassados, como a folia de
Reis, reizados e tantos outros autos folclóricos, cultuados em poucas
regiões do país