sexta-feira, janeiro 06, 2012

Poda da Videira

Como todos sabemos o vinho vem das videiras e para estas terem a melhor produtividade são necessários alguns cuidados. Ter em atenção a poda é um deles e é o que pretendemos sucintamente explicar neste artigo sobre a poda das videiras.
A poda é a operação que consiste no corte de uma parte dos ramos da videira. Os seus objectivos são proporcionar melhores condições de produção e equilíbrio entre a planta e a sua vegetação, caso contrário a videira produz muitos cachos de bagos pequenos e de fraca qualidade.
Se a poda se realizar após a vindima, quando a videira não têm folhas, é a poda de Inverno: a videira está em descanso vegetativo e os efeitos da poda na planta destinam-se a preparar a produção do ano seguinte. Se a poda for realizada quando a videira já tem folhas, é designada de poda em verde. Esta poda enfraquece a expansão vegetativa e os recursos da planta são mais dirigidos para os cachos.
A empa consiste em dobrar e amarrar a vara que resulta da poda a um tutor (geralmente um arame) e normalmente é realizada ao mesmo tempo que a poda. O tutor apoia a videira e permite que seiva chegue a toda a planta. A vara é dobrada para que as folhas da videira fiquem bem distribuídas.






(Dizem que a poda nasceu (se iniciou) quando um burro passou por uma vinha e comeu algumas vides.) A poda é um dos actos que está directamente ligado ao trabalho da vinha, no nosso caso sabemos que deve ser feito, porque as gerações que nos antecederam o faziam, é verdade que muitos de nós nunca nos questionámos sobre estas coisas, é assim porque é assim, mas que se ao logo dos anos o fizeram por alguma razão foi.
Vamos tentar olhar para a poda, questionando e tentando perceber.

Mas então o que é a poda?

Não é mais do que o corte de certas varas, com o fim aumentar a qualidade das uvas e melhorar as condições de produção da videira, conseguindo-se assim que as raízes possam estar proporcionais à vide que no futuro irá ser a ramagem da videira.

Quando é que deve ser feita a poda?

A poda deve ser feita quando as folhas já estão a cair, ou seja aquilo que chama o descanso vegetativo. Mas devemos ter também em atenção a nossa região pois se a poda for feita na altura das maiores geadas os cortes da poda podem demorar a cicatrizar.
Nunca se deve podar a seguir à vindima porque as folhas ainda estão a trabalhar e não foi ainda dado inicio ao processo de emigração das substâncias que estão nas folhas para as varas e cepas da videira.

O que aconteceria se as videiras não fossem podadas?

Se as videiras não fossem podadas as suas varas iam crescer muito finas, todas embrulhadas e os seus cachos seriam muitos e de bagos pequenos (com pouco sumo) em que o seu amadurecimento acabaria por ser irregular, acabando por produzir um vinho de baixa qualidade.

Porque podamos?

Além de querermos obter cachos maiores e com maior teor de sumo, com elevados teores de açúcar que dão origem a vinhos com maior graduação, queremos que a videira mantenha a sua produção constante ao longo dos anos e que além disso nos permita tratar da videira facilmente, quer seja a atar a por os paus, a sulfatar ou a cavar a terra (amanhar).

Atenção a ter na poda.

Os cortes devem ser sempre bem rentes, lisos para que o corte cicatrize rapidamente e convenientemente. Nas varas, os cortes devem fazer-se um centímetro acima dos olhos (gomo). Os braços e os ramos mais grossos cortam-se com serrote, sendo depois o golpe alisado com uma navalha.

Deve ter-se o cuidado em fazer o menor número de cortes e que a grossura dos ramos cortados não seja muito grande, porque a cicatrização é tanto mais fácil, quanto menor for a grossura do ramo cortado.
Ditado Popular

Poda-me em Janeiro
Ata-me em Fevereiro
Cava-me em Março
Em Abril deixa-me dormir
Em Maio dá-me um arrendasso
E depois verás o que eu faço.

Verás como sei pagar
com juros de cento inteiro
o trabalho de podar
que tiveste em Janeiro.

Verás como o teu cavar
de Março, tão dedicado
vai dar ao mundo a provar
um néctar mais apurado

E num pingar de magia
dou-te pinga que inebria
espírito em gotas mil
para que bebas dia a dia
numa malga de alegria
o meu soninho de Abril

E quando chegar o Maio
do arrendasso do escol
que vai ficar no final
é dançar o verde-gaio
e beber o bom tintol
que se faz em Portugal.

Retirado do famoso Borda-d’água
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